| MARCELO PASSAMAI E O ZÉ MANÉ |
Sabe aqueles poemas que você lê e pensa: "meu Deus esse cara disse tudo"? Esse é Wal Whitman... um poeta americano, com uma história de vida maravilha...
Walt Whitman
1819 - 1892
canto a mim mesmo
(fragmentos)
1
Com música forte eu venho, com minhas cornetas e meus tambores: não toco hinos só para os vencedores consagrados, toco hinos também para as pessoas batidas e assassinadas.
Vocês já ouviram dizer que ganhar o dia é bom?
Pois eu digo que é bom também perder: batalhas são perdidas com o mesmo espírito com que são ganhas.
Eu rufo e bato o tambor pelos mortos e sopro nas minhas embocaduras o que de mais alto e mais jubiloso posso por eles.
Vivas àqueles que levaram a pior! E àqueles cujos navios de guerra afundaram no mar! E a todos os generais das estratégias perdidas, que foram todos heróis! E ao sem número dos heróis maiores que se conhecem!
2
Quem é que vai por aí aflito, místico, nu? Como é que eu tiro energia da carne de boi que como?
O que é um homem, enfim? O que é que eu sou? O que é que vocês são?
Tudo o que eu digo que é meu, vocês podem dizer que é de vocês: de outro modo, escutar-me seria perder tempo.
Não ando pelo mundo a lastimar o que o mundo lastima em demasia: que os meses sejam de vácuo e o chão seja de lama e podridão.
A gemer e acovardar-se, cheio de pós para inválidos, o conformismo pode ficar bem para os de quarta categoria; eu ponho o meu chapéu como bem quero, dentro ou fora de portas.
Por que iria eu rezar? Por que haveria eu de me curvar e fazer rapapés?
Tendo até os estratos perquirido, analisado até um fio de cabelo, consultado doutores e feito os cálculos apropriados, eu não encontro gordura mais doce do que a inserida em meus próprios ossos.
Em toda pessoa eu vejo a mim mesmo, nem mais nem menos um grão de mostarda, e o bem ou mal que falo de mim mesmo falo dela também.
Sei que sou sólido e são, para mim num permanente fluir convergem os objetos do universo; todos estão escritos para mim e eu tenho de saber o que significa o que está escrito.
Sei que sou imortal, sei que esta minha órbita não pode ser traçada pelo compasso de um carpinteiro qualquer. Sei que não passarei assim que nem verruga de criança que à noite se remove com um alfinete flambado.
Eu sei que sou majestoso, não vou tirar a paz do meu espírito para mostrar quanto valho ou para ser compreendido: tenho visto que as leis elementares jamais pedem desculpas. (Eu reconheço que afinal de contas, não levo meu orgulho além do nível a que levo a minha casa.)
Existo como sou, isso é o que basta: se ninguém mais no mundo toma conhecimento, eu me sento contente; e se cada um e todos tomam conhecimento, eu contente me sento.
Existe um mundo que toma conhecimento, e este é o maior para mim: o mundo de mim mesmo. Se a mim mesmo eu chegar hoje, daqui a dez mil ou dez milhões de anos, posso alcançá-lo agora bem-disposto ou posso bem-disposto espetar mais.
O lugar de meus pés está lavrado e ajustado em granito: rio-me do que dizem ser dissolução – conheço bem a amplitude do tempo.
3
Eu sou o poeta do Corpo e sou o poeta da alma, as delícias do céu estão em mim e os horrores do inferno estão em mim – o primeiro eu enxerto e amplio ao meu redor, o segundo eu traduzo em nova língua.
Eu sou o poeta da mulher tanto quanto o do homem e digo que tanta grandeza existe no ser mulher quanta no ser homem, e digo que não há nada maior do que uma mãe de homens.
Canto o cântico da expansão e orgulho: já temos tido o bastante em esquivanças e súplicas, eu mostro que tamanho nada mais é do que desenvolvimento.
você já passou os outros, já chegou a Presidente? É pouco: até aí hão de chegar e irão ainda mais longe.
Eu sou aquele que vai com a noite tenra e crescente, e invoco a terra e o mar que a noite leva pela metade. Aperte mais, noite de peito nu! Aperte mais, noite nutriz magnética! Noite dos ventos do sul, noite das poucas estrelas grandes! Noite silenciosa que me acena – alucinada noite nua de verão!
Sorria, ó terra cheia de volúpia, de hálito frio! Terra das árvores líquidas e dormentes! Terra em que o sol se põe longe, terra dos montes cobertos de névoa! Terra do vítreo gotejar da lua cheia apenas tinta de azul! Terra do brilho e sombrio encontro nas enchentes do rio! Terra do cinza límpido das nuvens, por meu gosto mais claras e brilhantes! Terra que faz a curva bem distante, rica terra de macieiras em flor! Sorria: o seu amante vem chegando!
Pródiga, amor você tem dado a mim: o que eu dou a você, por tanto, é amor – indizível e apaixonado amor!
extraído de "Folhas das Folhas de Relva" (1983, Brasiliense, trad. Geir Campos)
Escrito por M. Passamai às 13h24
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Apareceu a Margarida... Uns aman, outros odeiam... Mas o artista é esse micróbio que dá prazer...
Chegou às livrarias o primeiro (e elá já disse que é o último) de poesia de Fernanda Young.

Literalmente o livro é de uma plástica maravilhosa e esbarra no excêntrico olhar de Fernanda pelo simples. Pode até parecer u texto meio gay, mas na verdade a sai justa que Young está experimentando não é por ser um livro apena de poesia, mas uma poesia de amor: DORES DO AMOR ROMÃNTICO (editora Ediouro). É o amarelo cheguei da capa e o rosa já estou da contra capa que te incita a conhecer as fraquesas, neuroes e belezeas de um mundo de cupim esculpido por Fernanda Yong.
Escrito por M. Passamai às 00h21
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Uma lembrança... CAZUZA... que fez da letra, poesia e da vida, música...
Boas Novas

Cazuza
Poetas e loucos aos poucos Cantores do porvir E mágicos das frases Endiabradas sem mel Trago boas novas Bobagens num papel Balões incendiados Coisas que caem do céu Sem mais nem porquê
Queria um dia no mundo Poder te mostrar o meu Talento pra loucura Procurar longe do peito Eu sempre fui perfeito Pra fazer discursos longos Fazer discursos longos Sobre o que não fazer Que é que eu vou fazer?
Senhoras e senhores Trago boas novas Eu vi a cara da morte E ela estava viva Eu vi a cara da morte E ela estava viva - viva!
Direi milhares de metáforas rimadas E farei Das tripas coração Do medo, minha oração Pra não sei que Deus "H" Da hora da partida Na hora da partida A tiros de vamos pra vida Então, vamos pra vida
Senhoras e senhores Trago boas novas Eu vi a cara da morte E ela estava viva Eu vi a cara da morte E ela estava viva - viva!
Escrito por M. Passamai às 20h46
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