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| MARCELO PASSAMAI E O ZÉ MANÉ |
Um presente para duas amigas: um texto da professora Lélia Pereira da Silva Nunes (direita) sobre o livro de Adelaide (de óculos), uma escritora açoriana.
Carta para Adelaide,

Não constituiu nenhuma surpresa o que o adentrar nas suas páginas me revelou. Até porque há muitos anos conheço a professora Adelaide, a investigadora competente, a profissional dedicada e preocupada com as mazelas sociais tendo desenvolvido um reconhecido trabalho quando esteve à frente do Instituto de Acção Social da Região Autónoma dos Açores.
Mas, esta Adelaide eu não conhecia. Não conhecia a mulher sensível que no seu romance de estréia desvenda as angústias, o desabrochar e as descobertas de Xana – menina e mulher. Adelaide e Xana, uma e outra, frente a frente ou dentro por dentro.
Uma escrita cheia de ternura, mas não leve. Achei forte, um suspiro fundo,não consegui nem respirar a pausa da vírgula. Denso do princípio ao fim. Um lamento. E, lamento não tem música que embale.
A autora transvestida, ora na roupagem da personagem ora sendo voz da narradora, se revela por inteiro partilhando histórias de vida, sentimentos tão seus numa corrente de lavas vulcânicas a inundar o mar e ali se perpetuar no correr do tempo, endurecendo, plasmando o cerne, sem contudo empedernir o coração da mulher.
Desnuda toda uma comunidade com o vigor da palavra escrita, numa crítica social profunda aos estereótipos sociais e culturais que permeiam o viver apartado de afectos partidos, distantes e postos em outras geografias tendo o mar pelo meio. No mosaico das emoções desvenda a alma das gentes, do lugar e da Ilha. Fala de ausências e presenças, de sonhos, de voos alçados pelo imaginário, de esperanças misturadas aos anseios da descoberta do mundo maiúsculo, finito e infinito no perpassar do tempo. Fala do pequeno mundo de Xana, sufocada em seu microcosmo, na cegueira de uma freguesia presa num emaranhados de fios urdidos em códigos sociais e morais, em suas crenças e valores coletivos.
Com firmeza conduz a narrativa e transita, livremente, rompendo círculos desse universo, na complexa teia de relações sociais, na construção de cada personagem e de histórias alimentadas por lembranças ou registros das suas memórias e vivências na Achadinha, no extremo da Ilha de São Miguel. Mostra com sabedoria e emoção profunda os caminhos de tantas vidas marcadas pelo fenômeno da emigração, pelo multiculturalismo, por conflitos sociais, pela condição de estar na Ilha ou fora dela ou, ainda, pelo retornar.
Adelaide, não quero aqui reflectir sobre a questão da diáspora a que teu livro necessariamente nos remete. Pois, teu romance fez-me sentir dentro de um mundo onde a fronteira entre a realidade e a ficção é muitíssimo tênue. Onde o mundo real e o surreal se encontram não no vazio dos dias, mas no olhar de dentro, da alma, que reflete a esperança, a centelha da vida.
Quero pensar na mulher e nas mulheres outras que passaram a vida olhando o tempo passar sem saírem de seus casulos, hermeticamente fechados, sem darem a chance de se descobrirem, de se conhecerem, nos seus encantos e desencantos, nos seus sorrisos e lágrimas choradas, no corpo adormecido e nunca despertado pelo toque da paixão, na palavra não dita, no carinho não recebido, ansiado infinitamente e desprezado vezes sem fim.
Sim. Quantas outras Xanas, botão entreaberto ou rosa mulher, depositaram suas esperanças e sonhos nas mãos deste imenso mar circundante? Quantas? Nem o vento, nem a gaivota que risca o céu ligeiro em voos rasantes, nem a onda que castiga a pedra revela. Só o mar crispado, indomável em suas andanças e retornos. Só o mar cavado que abraça as Ilhas e que assusta o homem com seus rumores. Só o mar sereno, amante, conhece e guardou para si o sorriso de Xana nas suas entranhas, na noite abissal e o reteve como um relicário sagrado. Tantos sentimentos traduzidos na música suave e triste da tua palavra escrita e que, afinal, emerge neste lindo “Sorriso Por dentro da Noite”, e como bem escreveu T.S.Eliot, por ti citado, “(...) gerando lilases em terra morta, misturando memória e desejos, caldeando raízes adormecidas com chuvas primaveris (...)”
Escrito por M. Passamai às 12h39
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Ainda sobre as velhas práticas de utilizar os favores, principamente nas concessões, na época de eleição...
Manobra de Lula salva 225 rádios e TVs do fechamento
ELVIRA LOBATO da Folha de S.Paulo, no Rio
Em ato inédito, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ao Congresso a devolução de 225 processos de renovação de concessões de rádio e televisão, ameaçados de rejeição pela Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados. A medida impediu o fechamento de emissoras de políticos que estão com concessões vencidas, algumas há mais de 15 anos, e que continuam funcionando.
O governo agiu a pedido do deputado Jader Barbalho (PMDB-PA), que tem duas rádios e uma TV nesta situação, e que se viu ameaçado de perder as emissoras. Ele procurou o ministro das Comunicações, Hélio Costa, também do PMDB, que mandou um ofício à Câmara pedindo os processos de volta. O ofício de Costa foi ignorado porque só o presidente da República tem competência legal para requisitar a devolução dos processos enviados ao Legislativo. Então, o ministro acionou o presidente Lula.
Na segunda-feira passada, o "Diário Oficial" da União publicou as mensagens do presidente e a relação dos 225 processos que o Executivo quer de volta. Na prática, Lula deu uma segunda chance às empresas da lista, que corriam o risco de perder suas concessões.
A argumentação do Ministério das Comunicações para requisitar os processos é que seria tarefa dele, e não do Congresso, cobrar a documentação das empresas. O curioso é que o Executivo nunca havia demonstrado tal preocupação.
Em 2002, existiam cerca de 700 processos de radiodifusoras parados na Câmara, com documentação incompleta. Cobradas pela Comissão de Ciência e Tecnologia, cerca de 500 se ajustaram. As que não se enquadraram, com poucas exceções, são as que foram requisitadas agora pelo presidente.
A pilha de processos parados é uma síntese dos problemas da radiodifusão. Há na lista empresas que foram vendidas há vários anos e cuja documentação continua nos nomes dos antigos donos, embora a lei exija que a mudança societária seja previamente aprovada pelo governo. Há emissoras que foram desativadas, mas sobrevivem na documentação oficial.
Senadores
Além de Jader Barbalho, outros importantes políticos figuram nos processos, como o senador Edison Lobão (PFL-MA), os ex-senadores Hugo Napoleão (PFL-PI) e Freitas Neto (PSDB-PI) e o ex-presidente Fernando Collor.
A concessão da Rádio Mirante, de Imperatriz (MA), pertencente a Fernando Sarney, filho do ex-presidente e senador José Sarney (PMDB-AP), venceu em 1996. As da família de Edison Lobão venceram em 93.
O ex-senador Odacir Soares, de Rondônia, tem duas rádios na lista requisitada por Lula. O ex-senador Sérgio Machado (PMDB-CE), presidente da Transpetro, subsidiária da Petrobras, é sócio de outra. Há pelo menos dois políticos paulistas: o ex-deputado federal José Abreu (PTN) e o deputado estadual Edmir Chedid (PFL).
Ameaça
O problema veio à tona porque o presidente da Comissão de Ciência, Tecnologia, Informática e Comunicação da Câmara, Vic Pires Franco (PFL-PA), chamou para si, no mês passado, a relatoria dos 225 processos, e deu um mês para as empresas apresentarem a documentação. O prazo vence nesta semana e está marcada uma reunião plenária da comissão para examinar o destino dos processos na quarta. O parecer da assessoria é pela rejeição dos processos com documentação incompleta.
A ameaça provocou uma corrida nas empresas para acertarem a situação. Até quarta-feira, 15 emissoras, entre elas, a TV Studios de Brasília (grupo SBT), tinham encaminhado a documentação à Câmara. Com a requisição dos processos pelo governo, a ameaça às empresas deixa de existir.
Dívidas
A renovação de concessão só pode ser autorizada se a empresa estiver em dia com o INSS, com o FGTS e com o fisco municipal, estadual e federal. Pelo menos quatro emissoras de TV com processos parados estão inscritas na dívida ativa da Previdência Social: Rede Brasil Amazônia (de Jader Barbalho), Sampaio Radio e Televisão (do ex-vice-governador alagoano Geraldo Sampaio) e as TVs Cabo Branco e Paraíba, do ex-senador José Carlos da Silva Jr. Jader Barbalho foi procurado pela Folha entre terça e sexta-feira, mas não se manifestou.
Além de políticos, a lista inclui lideranças empresariais da radiodifusão, como o vice-presidente da Abert (Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e de Televisão), Orlando Zovico, e o presidente da Aesp (Associação das Emissoras de Rádio e Televisão do Estado de São Paulo), Edilberto Paula Ribeiro. Também inclui a Rádio Globo de Salvador, que continua registrada em nome de José Roberto Marinho, embora as Organizações Globo sustentem que ele vendeu as quotas da empresa em 1993. A concessão da rádio venceu há 15 anos.
Escrito por M. Passamai às 15h20
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Vou continuar usando a camisa do Brasil!!!
Acabou!!! O Sonho novamente acabou!!!
E no domingo, na Fórmula 1, o Felippe até que foi Massa!!!
Tentou dar uma alegria para o Brasil, ficou em segundo!!!
AH!!! Mas Felippe, perdoa-me, nós gostamos mesmo é do primeiro lugar!!!
Depois do término definitivo da Ditadura Militar,
Talvez esse seja o momento mais difícil deste país...
De Collor até Lula, ninguém pode dizer que a gente não está tentando...
Dessa Copa, só tristeza... Perdemos o Bussunda, perdemos a vergonha...
Zidane passa a mão na cabeça de Robinho, como quem diz... Você ainda é novo...

Por isso, que essa lição seja mais uma...
Não basta ser o melhor... tem que "acreditar que é"!

Mas o Parreira, perdeu esse sentimento de “acreditar”...
O Parreira não tentou... não testou... preferiu o que conhecia...
Perdeu...
Quando vejo o Felipão... com a sua garra e fé...
Quando vejo a Alemanha... com seu planejamento e força de vontade...
Percebo que o que distancia o Brasil de uma vitória na Copa do Mundo
É justamene o sentimento do “acreditar”...
Nós acreditamos... nós os torcedores reais...
Nós acreditamos que aqueles caras poderiam nos representar...
Que raiva!!! Que raiva!!!

Novamente, vi gente chorando...
Novamente, fomos traídos...
Mas, como já disse Luiza Lucinda, só de sacanagem,
Eu vou continuar acreditando...
Parreira, desculpe, mas você ainda não derrotou o meu sentimento de “acreditar”...
Escrito por M. Passamai às 11h16
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