| |
| MARCELO PASSAMAI E O ZÉ MANÉ |
FAÇO UMA HOMENAGEM AOS TRABALHADORES FERIDOS E MORTOS NO INCÊNDIO DE DOIS ANDAIMES EM SP... CHICO BUARQUE, COM O POEMA CONSTRUÇÃO...
14/09/2006 - 12h20
Incêndio em andaime causa morte de dois operários em São Paulo
da Folha Online
Uma explosão seguida de incêndio causou a morte de dois operários e deixou outras duas pessoas feridas, na manhã desta quinta-feira, na rua Marechal Hastinfilo de Moura, região da Vila Sônia (zona oeste de São Paulo) As vítimas estavam em um andaime quando o fogo começou, por volta das 10h45. Seriam operários que faziam a restauração no prédio.
De acordo com informações do Grupamento Aéreo da Polícia Militar, além das duas pessoas que morreram, outras duas foram socorridas --uma na Santa Casa e outra no Hospital das Clínicas. Os nomes não foram divulgados.
As causas do acidente ainda não foram confirmadas.

Amou daquela vez como se fosse a última Beijou sua mulher como se fosse a última E cada filho seu como se fosse o único E atravessou a rua com seu passo tímido Subiu a construção como se fosse máquina Ergueu no patamar quatro paredes sólidas Tijolo com tijolo num desenho mágico Seus olhos embotados de cimento e lágrima Sentou pra descansar como se fosse sábado Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago Dançou e gargalhou como se ouvisse música E tropeçou no céu como se fosse um bêbado E flutuou no ar como se fosse um pássaro E se acbou no chão feito um pacote flácido Agonizou no meio do passeio público Morreu na contramão atrapalhando o tráfego
Amou daquela vez como se fosse o último Beijou sua mulher como se fosse a única E cada filho seu como se fosse o pródigo E atravessou a rua com seu passo bêbado Subiu a construção como se fosse sólido Ergueu no patamar quatro paredes mágicas Tijolo com tijolo num desenho lógico Seus olhos embotados de cimento e tráfego Sentou pra descansar como se fosse um príncipe Comeu feijão com arroz como se fosse máquina Dançou e gargalhou como se fosse o próximo E tropeçou no céu como se ouvisse música E flutuou no ar como se fosse sábado E se acabou no chão feito um pacote tímido Agonizou no meio do passeio náufrago Morreu na contramão atrapalhando o público
Amou daquela vez como se fosse máquina Beijou sua mulher como se fosse lógico Ergueu no patamar quatro paredes flácidas Sentou pra descansar como se fosse um pássaro E flutuou no ar como se fosse um príncipe E se acabou no chão feito um pacote bêbado Morreu na contramão atrapalhando o sábado
Escrito por M. Passamai às 13h26
[]
[envie esta mensagem]
PREGUIÇA...

POR CAUSA DESSAS COISAS DA VIDA... TÔ COM UMA PREGUIÇA ENORME DE ESCREVER... OS MEUS PENSAMENTOS ME TOMAM TEMPO E ENERGIA...MESMO NA COMPANHIA DE UM BOM CACHIMBO.... MUSIQUINHA AO FUNDO... LIVRO DE ESTEPE... UMA CONVERSA SOBRE AS COISAS DA VIDA... MAS TÔ MESMO COM PREGUIÇA...TUDO POR CAUSA DESSAS COISAS... DESSAS COISAS DA VIDA.....
Escrito por M. Passamai às 13h07
[]
[envie esta mensagem]
PARA QUEM CONVIVE COM SÃO PAULO E DETESTA CHURRASCARIA RODÍZIO COMO EU... UM TEXTO MARAVILHOSO DE JOSIMAR MELO (DA FOLHA DE SP)...
Caçador de mitos
Crítico da Folha dispara contra cinco ícones gastronômicos "intocáveis" de São Paulo, entre eles o descomunal sanduíche de mortadela do Mercadão e o sistema de rodízio das churrascarias
JOSIMAR MELO CRÍTICO DA FOLHA
Eu adoro ir ao Mercado Municipal. Eu também adoro comer em botecos -como os de lá. Mas odeio filas (como a dos bares do Mercadão), especialmente para comer. E o ódio torna-se fúria quando no final da fila há uma frustração. No Bar do Mané, a grande maioria das pessoas pedirá um enorme, descomunal, sanduíche de mortadela, que todo mundo se habituou a achar que é um dos melhores do mundo. Que é gigante, é. Quase meio quilo de fatias de mortadela ("pesadas" a olho, no mínimo uns 300 g) mal sobraçadas por duas humilhadas fatiazinhas de pão. Ah, um pouco de alface e tomate também. Mas... será isso um bom sanduíche? Um sanduíche não deveria equilibrar os sabores do pão e de seus recheios? Ou, sendo mais prosaico, não deveria caber na boca, ser capaz de ser mordido? E finalmente: para ser glosado como o melhor do Brasil, não deveria ter alguma arte culinária? Um tempero especial, um ingrediente produzido pela cozinha... e não apenas a mortadela que você pode comprar no supermercado, num pão que você acha na padaria do bairro? Não vale a fila. E o curioso é que nem o público do Mercadão achava que valesse, na maior parte dos mais de 70 anos do Bar do Mané. O mito desse sanduíche tem uns 15 anos, quando a imprensa começou a incensá-lo. Antes, o Mané vendia bem mais o gostoso sanduíche de pernil -este sim montado em proporções mais adequadas ao perímetro da boca e recheado de arte culinária (o assar do pernil, o fazer do molho). Continua em cartaz, embora soterrado pelos 500 sanduíches de mortadela vendidos em dias de movimento. Talvez impere a máxima de que tamanho é documento. Daí a monumentalidade deste sanduíche de mortadela e de outro ícone paulistano ali vizinho: o pastel de bacalhau do Hocca Bar. Mais uma vez, um problema de conceito e de sabor. O famoso pastel é uma desfaçatez ergonômica. O recheio é tanto que destrói o delicado equilíbrio que os chineses demoraram séculos para arquitetar nos pastéis. E desequilibra também o sabor. Muito recheio para pouca massa. E um bacalhau que deixa a desejar: seco, salgado... Se você está no Hocca Bar, por que não pedir seus outros pastéis bem melhores? (Uma das especialidades é o de mussarela de búfala com tomate seco.) Ou então o suculento sanduíche de calabresa da casa?
Camada pegajosa
Entre as outras modas da cidade que introduzem ingredientes inadequados no lugar errado está a do requeijão Catupiry. Adoro. Admiro sua pungência, sua cremosidade. Seu ponto de sal faz dele o acompanhamento ideal para compotas brasileiras, que são ricas em açúcar (de goiaba, de jaca, de banana). Agora: pizza de Catupiry? (E ainda feita com requeijões inferiores, por sinal.) Não dá. Carne gratinada com Catupiry? Livrai-me. O problema não está no ingrediente, mas na combinação que se faz com ele. Enquanto a mussarela sobre a pizza tem aquele toque divertido de elasticidade, o requeijão, pelo contrário, tende a ficar pastoso. Vira uma camada pegajosa que sufoca os demais ingredientes. Mas Catupiry é especial, Catupiry é caro; vai convencer alguém de que não é chique. Fico feliz pela celebridade alcançada pelo bravo requeijão, nascido de um segredo mantido maniacamente pela família. Mas que ele merece melhor emprego culinário, merece. Assim como a boa carne brasileira. Ela sofre nos rodízios. Não que seja sempre mal preparada; mas o sistema de rodízio (mais uma vez a ilusão de que quantidade é documento) termina soterrando qualquer veleidade gastronômica -inclusive de quem ama carne. Ok, é um jeito folclórico e festivo de servir um dos melhores produtos nacionais. E tem suas raízes fincadas numa região tradicional, o pampa gaúcho. Mas cá entre nós: é ou não é desesperador? Você chega ali louco para comer boa carne -começar talvez com uma costelinha de porco, depois uma fatia de fraldinha, em seguida um belo contrafilé e, no final, para divertir, uma fatia de paleta de cordeiro. Isso é seu plano de vôo. Mas o que acontece, na real? O primeiro corte que chega é uma picanha de búfalo (e você, com fome, não recusa), em seguida o coração de frango (ainda a fome), logo o cupim, depois a calabresa... no final, um peixe! E salve-se quem puder. (Não vou nem falar dos sushis despedaçados nem dos camarões borrachudos.) Continuo pregando que se modernize o rodízio: que cada um anote as carnes preferidas, e que elas sejam trazidas na ordem. Um misto de rodízio e à la carte. Quem se habilita? Claro, nesse novo sistema estará terminantemente proibida outra praga que se tornou uma moda imorredoura da cidade: a picanha na chapa. É aquela picanha, ou outra carne qualquer, que chega à mesa numa chapa de ferro quentíssima e fumegante. Trata-se da mais eficiente maneira de destruir o ponto da carne (ela pode até chegar no ponto pedido, mas depois de três minutos já estará passada demais); e de destruir a atmosfera ao redor, que fica impregnada de fumaça. Peles, cabelos, gravatas, tudo passa a brilhar com a fina camada de óleo que vai sendo aspergida pela chapa, além do calor. Coisa que, no entanto, não acontece nos teppans japoneses. Eles têm lá seus segredos. Nós ficamos com a gordura.
Escrito por M. Passamai às 12h49
[]
[envie esta mensagem]
[ ver mensagens anteriores ]
|