Grande reportagem em livro
“Os quatro cantos do Sol – Operação Barriga Verde”, oitavo livro do jornalista Celso Martins, é uma grande reportagem em 392 páginas sobre a prisão de 42 pessoas acusadas de pertencer ao PCB em Santa Catarina, desencadeada pela Ditadura Militar, através do Exército e da Polícia Federal, no dia 5 de novembro de 1975.
Para escrever a obra, o autor tomou como base a documentação reunida desde o momento das prisões, o que inclui panfletos, textos partidários, matérias de jornais e revistas, boletins, folhetos, cartazes, fotografias e outras imagens. A partir de 2003 foram iniciadas as pesquisas nos arquivos históricos e públicos do Paraná, São Paulo e Santa Catarina, além de entrevistas com cerca de três dezenas de pessoas direta ou indiretamente ligadas ao episódio, na sua maioria familiares dos seqüestrados.
Entre os 42 presos foram selecionados nove personagens principais, tendo em vista a posição de comando na estrutura do PCB: Teodoro Ghercov e Newton Cândido (paulistas, representantes do Comitê Central no Estado), Roberto Motta (ex-deputado estadual pelo PMDB), Marcos Cardoso Filho (engenheiro eletricista, professor da UFSC), Cirineu Martins Cardoso e Alécio Verzola (Florianópolis), Júlio Serpa e Edgard Schatzmann (Joinville) e Amadeu Hercílio da Luz (Criciúma).
São eles que conduzem a narrativa, auxiliados por militantes como Vladimir Amarante, Ury Coutinho de Azevedo, Jorge Feliciano, Sérgio Giovanella e Roberto Cologni, entre outros. Ao recuperar a trajetória de cada um desses personagens, o autor detalha a atuação dos comunistas no período entre 1964 e 1985: o ingresso no MDB desde a sua criação em 1966, o trabalho no Movimento Estudantil, a ação desenvolvida no meio operário, as atividades culturais e a linha política central do PCB naquele período, voltada ao restabelecimento da democracia no Brasil.
Em “Os quatro cantos do Sol” ficamos sabendo de um projeto de guerrilha desenvolvido em Joinville, cidade em que sobrevive clandestino o camarada “Shultz”, e os motivos da falência de uma fábrica de parafuso de teto de mina e revendedora de sucata para metalúrgicas, criada em Criciúma para sustentar financeiramente o PCB em Santa Catarina. Também são revelados pela primeira vez os detalhes dos acordos que levaram os comunistas a atuar dentro do MDB ao longo de quase 20 anos, identificando seus principais atores.
O livro de 392 páginas apresenta cerca de 160 fotografias, quase todas inéditas, feitas pelo autor e fotógrafos locais e as que foram reproduzidas em acervos familiares e arquivos públicos, como o do DOPS-PR. São reproduzidas também imagens de cartazes e outras publicações da época, principalmente na campanha pela Anistia, Juventude do MDB e Movimento Estudantil.