| MARCELO PASSAMAI E O ZÉ MANÉ |
O TEMPO PASSA LENTO
Flávia Dellamura
Estou onde o tempo passa lento, Contando horas que se repetem como cada dia. Mais um dia ou apenas um dia? Contagem regressiva para zero horas! Na esperança de continuar procurando mudanças que finjo não saber que nunca se renovarão. Queria viver cada dia como se fosse o primeiro de uma vida, mas disso só restam as lágrimas para lamentar; o desprezo por ter aberto so olhos onde os demais permanecem fechados. Tenho o grito abafado que alcança só os que me rodeiam e já não mais precisam saber, já sabem! Ah, se eu pudesse… Liberdade seria o grito de guerra se não fosse apenas uma expressão para àqueles que pensam ser livres.
- LI-BER-DA-DE: [ no lat. libertate] * Faculdade de cada um se decidir ou agir segundo a própria determinação;(?) * Faculdade de praticar tudo quanto não é proibido por lei;(?) * Estado ou condição de homem livre.(?)
Eis a definição de uma palavra que não passa apenas de mais uma entre tantas outras perdidas nas páginas de um dicionário.
Fim - única base sustentável. [agora sim…] Sim!consigo pensar e ainda sorrir em saber que o fim não é só imaginário, teórico. - é real, é pratico, é o tão esperado descanso eterno. Mas enquanto isso, permaneço onde o tempo passa lento… Quisera pudesse ser um escarro …………………………..[dormente Cuspido no mundo, no fundo do nada E explodir na inexistência tão brevemente Quanto merece um escarro ter essência Mas meu viver não se perde: se sente… Como arquiteto da estrada Do nada da vida ………….[ao nada De pedras rachadas De mágoa e tristeza De todo o tão pouco Com que o desprazer abraça O vulto de um sonho Abandonado ao lado dos momentos Em que se troca por memória Em que se troca os pormenores Pelo que pudermos inventar …………………..[e distanciar Em mentira feita vista, feita história Feito o teatro, feito o caminho
Mas se não… Então avante toda honestidade Que uma hora pesada pode evocar Que se levante por sua certeza E que lute pela tristeza Em legítima defesa Vista a vista branca E a alma negra O verbo tinto E o brado austero Aleijando a fraqueza Desmentindo a vida Escudando a nobreza De quem padece e não mente De quem não vive e ressente O nada que nos irmana ………………[para nada ………………[para sempre… tempo-intento lento insano tempo horas rapidez sem espera nem sabor aumento diminuto feito asco fato feto por nascer sem motivo nem instante há perigo no perigo calmaria na leveza da ilusão de ser assim
Onde o tempo passa lento? Nas asas do pensar, nas garras do distante firmamento que nos foge ao mais um passo darmos?
sozinhos, em conjunto, com esforço ou deitados (contemplando o espaço) casto e sem agouro, captamos a mensagem das estrelas [para nada
onde o tempo passa e nada se vê o que há para notarmos? cada um, qualquer nenhum sem hora marcada escreve em cada pergaminho com a tinta dos martírios com dedos trêmulos e mãos sem jeito cada um, algum sujeito com alguma vida e alguma história
tempo-intento insanidade se esperamos, é em vão se não há paciência, ganhamos a razão de ser assim lúcidos, lépidos, lastro louco insinuando a negação verso de versão versada num tal momento que é fingimento ou alimento para os sonhos
o resto é resquício reles raptado esquecido atrás do torpos da vida coagido frente ao nada que é mentira de conter-se no espaço do momento deste tempo a passar tão lento quanto as palavras [de um poema.
Escrito por M. Passamai às 08h20
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